Algumas reflexões sobre a cidade de São Paulo. João Ramalho saberia explicar as enchentes que atazanam a cidade
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Quando li esse negócio de filtro anti-pornografia na internet chinesa, logo pensei: é um assunto do caralho. Um assunto perfeito para o blog. Sexo e poder. Sacanagem e política. Mente fervilhante. É evidente que o governo chinês não quer só controlar a pornografia. Não especificamente. O tal do filtro é uma tacada autoritária dos velhos tempos, com efeitos puramente repressivos e ferramentas de controle obsoletas. Na verdade, trata-se de um software que passa a ser obrigatoriamente instalado em todas os PCs do país. A partir de 1 de julho todas as máquinas na China devem estar equipadas com o software espião, que, além de tudo, deixa os PCs mais lentos. Obrigar um sujeito a instalar um software em sua máquina, só para ser controlado pelo governo, é a maior putaria dos últimos tempos. Os chineses, evidentemente, estão acostumados com o controle absoluto e temem vivamente sua polícia. Só uma população muito obediente pode garantir a eficácia de tal medida. E está na cara que a pornografia não é o principal problema, embora seja sempre reprimida na China. A pornografia não é subversiva. Inibi-la é um pretexto para que o Estado tenha um controle mais rigoroso sobre os cidadãos. Do ponto de vista das autoridades chinesas, a verdadeira subversão é trocar informações livremente, é compartilhar conhecimento com outros povos. Nem o governo iraniano, do qual muito se fala nesta semana, vislumbra medida tão violenta para conter os fluxos de informação global. Quando se pensa nas potências econômicas e nas sociedades do futuro, a China decepciona muito no quesito transparência. E, já há algum tempo, se torna exemplar em um novo modelo de gestão da internet: o autoritário. Para o governo chinês a internet é um mal. (Encontrei a foto ao lado em uma busca no Google Imagens. Ela apareceu na internet há algumas semanas e, supostamente, foi postada por um blogueiro chinês chamado Ruan Yifeng)

Esse negócio de acaso no mundo virtual está enchendo minha cabeça. Não paro de pensar nisso. Já não tenho certeza de nada. Brasileiro não tem vocação para esse tipo de abstração. Isso é coisa para pensador alemão. Mas o problema talvez seja comigo. Não consigo ir tão longe como imaginava. Tentei pensar com simplicidade e me dei mal. Ouvi, certa vez, que o acaso é a ausência de Deus. No acaso condensam-se as forças infernais. Onde existe Deus, há explicação para os fatos e para suas causas. Já o diabo se movimenta no aleatório, no ambiente das múltiplas possibilidades, principalmente no mal inesperado. O crente é motivado pelo medo do acaso. No passado remoto, era o medo da tempestade, do raio na cabeça, do animal selvagem, da avalanche. O acaso, finalmente, pode ser a morte repentina, o ataque cardíaco fulminante ou o câncer destrutivo. A fé só serve para proteger o espírito do imprevisto. É uma importante função. Mas isso tudo pertence ao mundo real, que nem tão real assim ele é. Na verdade, esse mundo é inundado de subjetividade e é só uma certa realidade projetada. Os povos a projetam de diferentes formas. Fiquemos com o imaginário ocidental e os possíveis vínculos e rupturas entre misticismo e informática e religião e ciência. A informática, junto com a biotecnologia, é um dos melhores resultados da ciência. É o conhecimento que faz diferença para o futuro da humanidade. Muito do que a ciência faz é diminuir o espaço do acaso, é substituir a casualidade pela causalidade, explicar situações que pareciam acidentais. Muito do acaso, no final das contas, tem a ver com ignorância. Usamos Deus ou o acaso para preencher o espaço de desconhecimento. No mundo virtual, tudo é ciência, tudo é matemática, tudo é programação. O que quero dizer é que no mundo virtual tudo é controlado. Acho que a internet é Deus. Ou não? Vou abrir uma enquete.
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